Vacinas

O vírus Influenza


Legenda: (1) Diagrama do vírus Influenza. (2) Microscopia com cápsulas do vírus influenza (Foto: National Institute of Allergy and Infectious Diseases). Tradução: (1) Imagem a esquerda Diagrama do Vírus Influenza; envelope lipídico que contém proteínas, Envelope, Genoma viral(RNA) , Nucleocapsídeo e Tegumento Viral.

Como o vírus infecta as células

O vírus da gripe é constituído por um envelope de proteínas que engloba moléculas de RNA, as quais carregam as informações nescessárias para que sejam replicadas pelas células atingidas. Como todo vírus, para se multiplicar, ele precisa entrar nas células do hospedeiro. A hemaglutinina, uma das duas proteínas mais importantes do envelope, tem como função enganar a membrana celular facilitando a entrada do vírus na célula, onde o mesmo irá se replicar. Outra proteína presente no vírus, a neuraminidadepremite a saída dos vírus produzidos nas células em busca de outras células para infectar e se reproduzir.

A gripe é uma doença infecciosa, aguda, causada pelo vírus Influenza vírus, que acomete o trato respiratório. O primeiro relato de uma epidemia de gripe foi feito por Hipócrates, em 412 a.C., como uma doença respiratória que matou um grande número de pessoas em poucas semanas e depois desapareceu. O termo influenza surgiu na Idade Média, na Itália, quando se atribuía os sinais clínicos de febre, tosse e calafrio a “influências planetárias”. Em 1933, o vírus responsável por esses quadros foi finalmente isolado e recebeu o nome de Influenza.

Estima-se que anualmente mais de 100 milhões de pessoas adquirem a doença, com sintomas variando de leves a severos resultando em milhares de hospitalizações e centenas de milhares de mortes. Crianças, idosos, gestantes, pacientes com doenças de base crônicas e imunossuprimidos são considerados como grupo de risco para desenvolvimento de complicações mais sérias, como pneumonia.

Os vírus se replicam nas células do trato respiratório, misturam-se às secreções respiratórias sendo disseminados durante o ato de espirrar, tossir ou falar. O período de incubação é bastante curto, variando de 1 a 4 dias, e um único indivíduo infectado pode potencialmente transmitir a doença para um grande número de pessoas susceptíveis.

A transmissão do vírus se inicia até 24 horas antes do início dos sintomas prolongando-se por até 10 dias após. Os sintomas mais frequentes da gripe são: febre (38° a 40°C, com duração de aproximadamente 1 a 3 dias e pico nas primeiras 24 horas), dor de cabeça, dor de garganta, congestão nasal, mialgia, anorexia e fadiga. Com menor frequência podem ser observadas, náusea, dor abdominal, diarréia e fotofobia. Os casos mais graves podem evoluir para pneumonia.


Legenda: Paciente infectado pelo vírus influenza H1N1 sendo tratado em um hospital da marinha americana durante a epidemia da Gripe Espanhola (Foto: U.S. Navy Medicine).

Tipos de vírus Influenza e sua variação genética

Existem 4 tipos de vírus influenza: Influenza A, B, C e D, sendo os tipos A e B os causadores de epidemias sazonais da doença, que tendem a ocorrer anualmente durante o inverno ou em estações chuvosas. Os vírus de Influenza A infectam os humanos e vários animais, entre eles os mamíferos - terrestres ou aquáticos - e as aves. Entre as aves, as aquáticas selvagens, os patos e gaivotas por exemplo, são consideradas como o principal reservatório do vírus, capazes de disseminá-lo para outras espécies. Baseados na variedade e combinação de 2 proteínas virais de superfície, a Hemaglutinina (H) e Neuraminidase (N) os influenza A podem ser divididos em subtipos. Atualmente, circulam em humanos os subtipos H1N1 e H3N2. A circulação de Influenza B está restrita a humanos, e embora não seja subdividida em subtipos, apresenta circulação predominante de duas linhagens, a B Yamagata e a B Victoria.

Os vírus de influenza estão em constante evolução, apresentando modificações pontuais em seu genoma, que geram alterações em sua composição, conhecidas como drifts antigênicos. O acúmulo destas modificações pode resultar no não reconhecimento destes vírus por anticorpos gerados em infecções anteriores, possibilitando que o indivíduo seja infectado mais de uma vez no decorrer da sua vida. Além dos drift antigênicos, os vírus de Influenza A podem sofrer alterações abruptas e maiores conhecidas como shift antigênicos, que resultam em uma nova hemaglutinina ou neuraminidase ou ainda, na mudança completa das duas proteínas virais, originando vírus totalmente diferentes dos circulantes.

A maioria da população não apresenta imunidade contra esses novos vírus e a doença dissemina-se rapidamente, podendo ocasionar as pandemias, ou seja, epidemias simultâneas em diversas localidades do planeta. Entre os exemplos estão a Gripe Espanhola ocorrida em 1918, na qual o agente causador foi um novo subtipo H1N1 e a pandemia de 2009, originada por uma cepa totalmente nova e não descrita de H1N1, emergida pelo rearranjo de 4 diferentes vírus (aviário, humano e 2 suínos). Este vírus estabeleceu-se na população humana e atualmente circula sazonalmente, ocasionando os surtos de gripe anuais.


Legenda: Vírus influenza do tipo H1N1, agente causador da pandemia de gripe de 2009 (Foto: Cybercobra).

A vacina contra a Influenza

Devido a grande diversidade genética do Influenza, os componentes da vacina são revistos anualmente e modificados periodicamente, dependendo da linhagem viral circulante no ano. A Organização Mundial da Saúde - OMS é o órgão competente que seleciona e indica quais cepas deverão ser usadas na produção das vacinas a partir dos vírus circulantes a cada ano.

Atualmente, existem as vacinas trivalentes contendo uma cepa de H1N1, uma cepa de H3N2 e uma cepa de Influenza B e as vacinas quadrivalentes, que contém 2 componentes de Influenza A (H1N1 e H3N2) e 2 de Influenza B (B/Yamagata e B/Victoria).

O Instituto Butantan é o único produtor nacional e fornecedor do Ministério da Saúde da vacina contra a influenza do tipo trivalente. São cerca de 50 milhões de doses distribuídas gratuitamente pelo Ministério aos postos de saúde em todo Brasil durante o período de campanha, sempre em abril. - infográfico livreto soros e vacinas