Vacinas

História da vacina: onde tudo começou

Os primeiros casos de imunização ocorreram na China Antiga no século 11. Os chineses trituravam cascas das feridas produzidas pela varíola e sopravam o pó por meio de um cano de bambu diretamente nas narinas das crianças. A técnica, conhecida como variolização, se espalhou durante o século 12 a diversos povos, entre eles egípcios, persas, indianos e circassianos.


Legenda: Etapas da técnica de variolação registrada em ilustrações chinesas (Fonte: The Historical Medical Library of The College of Physicians of Philadelphia).

Apesar de relativamente bem sucedida, a variolação não impedia a propagação da doença. Na Europa, a prática chegou a ser interrompida, pois havia casos em que as pessoas contraiam a doença, mesmo depois do procedimento. Em 1798, o médico inglês Edward Jenner anunciou na Academia Real de Ciências a criação do primeiro imunizante injetável contra a varíola, que batizou com o nome de vacina. Em 1807, a Baviera tornou-se o primeiro país do mundo a declarar a vacinação contra a varíola obrigatória por lei.


Legenda: Ilustrações feitas à mão representando as pústulas causadas pela varíola, gravadas em um livro médico da China Antiga (Fonte: Wellcome Library).

A era das vacinas no Brasil e no mundo

Nos anos 1840, o Barão de Barbacena introduziu no Brasil amostras de vírus da varíola trazidas especialmente para serem usadas na proteção de famílias nobres do Rio de Janeiro. Em 1887, o médico Barão de Pedro Affonso, diretor do Instituto Vacínico Municipal do Rio de Janeiro (depois Instituto Osvaldo Cruz), produziu as primeiras vacinas contra a varíola do país. A vacinação como política de saúde pública chega a outros estados; em São Paulo, dá origem em 1901 ao Instituto Serumtherápico, que viria a se tornar, posteriormente o Instituto Butantan.

Em 1904, o médico sanitarista Oswaldo Cruz convence o Congresso a aprovar a Lei da Vacina Obrigatória, que autorizava brigadas sanitaristas a entrarem nas casas, acompanhadas de policiais, para aplicar à força a vacina contra a varíola. A lei indignou a população do Rio de Janeiro, o que deu início à Revolta da Vacina, uma das mais importantes manifestações populares da história do país. Centenas de manifestantes foram presos e muitos deportados para o Acre. Depois de conter a rebelião, o governo voltou a vacinar os brasileiros sem enfrentar novos distúrbios.

A vacina contra a tuberculose, a BCG foi introduzida em 1909 pelos cientistas do Instituto Pasteur. E em 1937, a vacina contra a febre amarela é testada pela primeira vez no Brasil. Anos mais tarde, em 1949 Jonas Salk desenvolve a vacina contra a poliomielite a partir de vírus morto e Albert Sabin cria a vacina atenuada contra a mesma doença, a primeira a ser aplicada via oral.

O Brasil passa a adotar em 1980 a estratégia de campanhas e cria os dias nacionais de vacinação contra a poliomielite. Com isso há uma drástica redução na incidência da doença, de 1.290 para 125 casos. Nesse período, a prevalência de mortes pelas doenças comuns em crianças de até 5 anos - sarampo, poliomielite, rubéola, meningite, tétano, coqueluche e difteria - giravam ao redor de 153 mil casos e 5.5 mil óbitos.


Legenda: Aplicação da vacina da poliomielite no Brasil em uma das primeiras campanhas de vacinação contra a doença (Fonte: Instituto Butantan).

Após sucessivas campanhas de vacinação, a prevalência caiu para 2 mil casos, com 50 óbitos em 2009.

As vacinas disponíveis atualmente possibilitam a prevenção e o controle de 26 doenças ou agentes infecciosos, contribuindo para uma drástica redução da ocorrência e da magnitude das epidemias. No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, instituído em 1973, inclui 19 vacinas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e protegem contra cerca de 20 doenças. O sucesso levou diversos países a copiarem a iniciativa brasileira.

O que são e como agem as vacinas?

As vacinas são imunobiológicos produzidos a partir de vírus ou bactérias, mortos, atenuados, inativados ou recombinantes, usados para prevenir as doenças causadas por eles.

A função das vacinas é ensinar o sistema imunológico a reconhecer ameaças e estimular a produção de anticorpos específicos para combatê-los, preparando o organismo para uma possível infecção sem permitir o desenvolvimento da doença.

O que é Imunidade de rebanho ?

Embora as vacinas promovam uma proteção individual contra doenças, exercem um papel ainda maior na população: ao diminuir o número de pessoas que transmitem doenças, reduzem a circulação de vírus e bactérias e, dessa forma, protegem a comunidade inteira. É o que os especialistas denominam de proteção indireta ou imunidade de rebanho.

Tipos de vacinas

Vacinas virais

São produzidas para prevenir doenças causadas por vírus e sua composição pode variar entre vírus atenuado, vírus inativado ou elemento similar ao vírus.


Legenda: Vírus da Herpes vistos a partir de uma micrografia.

  • Vacina de vírus atenuado: é aquela que usa o vírus vivo, mas sem capacidade de produzir a doença. Exemplos: vacinas contra caxumba, febre amarela, poliomielite oral, rubéola, sarampo, varicela, varíola e a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola juntos).
  • Vacina de vírus inativado: é aquela que contém o vírus morto, inativado por agentes químicos ou físicos. Pode ainda conter subunidades e fragmentos obtidos por engenharia genética. Exemplos: gripe/influenza, hepatites A, poliomielite injetável e raiva.
  • Vacina recombinante, desenvolvida a partir de partículas semelhantes ao vírus: criada por engenharia genética, por meio de um autoarranjo das proteínas que compõem o vírus. Exemplo: vacina contra o HPV – Papiloma vírus

Vacinas bacterianas

Feitas para prevenir doenças causadas por bactérias. Elas podem ser compostas por bactérias atenuadas, toxinas das bactérias neutralizadas, componentes das bactérias ou bactérias mortas.


Legenda: Cultura de bactérias da espécie Escherichia coli vista através de uma micrografia (Fonte: National Institute of Allergy and Infectious Diseases).

  • Vacina de bactéria atenuada: usa bactérias que passaram por processo químico ou físico de forma a não ter mais capacidade de causar a doença. Exemplo: vacina BCG para prevenir tuberculose.
  • Vacina de toxinas das bactérias neutralizadas: compostas a partir da toxina da bactéria, neutralizada por métodos químicos ou físicos, de forma a não causar a doença. Exemplo: tétano e difteria.
  • Vacina de bactérias mortas ou inativadas: feitas com as bactérias mortas por reações químicas ou físicas, como no caso da cólera e da peste. A vacina Pertussis para prevenção de coqueluche é preparada a partir de bactéria Bordetella pertussis, morta por substância química.
  • Vacinas acelulares: constituídas por partes ou componentes da bactéria. A vacina tríplice DTP acelular para prevenir difteria, tétano e coqueluche é composta pelas toxinas neutralizadas das bactérias que causam difteria e tétano e de componentes da bactéria Bordetella pertussis (coqueluche) purificados.

Processo de desenvolvimento de vacinas

Qualquer que seja a vacina, a primeira fase de produção é o crescimento de microrganismo que serão ou fornecerão os antígenos. Toda plante de produção deve ter um banco de cepa produtora.

As cepas são inoculadas de acordo com o tipo e necessidade para desenvolvimento em meios de cultivo, ou em ovos embrionados ou cultura de células.

A próxima etapa é o crescimento destes microrganismos em bioreatores específicos para cada tipo de microrganismos. No caso da vacina da contra influenza, os ovos inoculados com os vírus são mantidos em estufas.

Após a etapa de crescimento vem as primeiras etapas de purificação, com a separação celular, que proporciona o isolamento do antígeno de interesse para a produção da vacina.

As próximas etapas de purificação, variam de acordo com as características físico-químicas do antígeno, sendo o processo de cromatografia um dos mais utilizados.

A etapa de formulação consiste na diluição de todos os constituintes da vacina: antígenos, adjuvantes e tampões específicos para cada vacina.

A vacina formulada é distribuída em frascos, que são rotulados com os dados de fabricação de cada vacina.
Entre cada uma das fases de produção da vacina é realizado testes de controle de qualidade, desde a abertura da cepa até a liberação da vacina ampolada.

Quais as vacinas produzidas pelo Instituto Butantan?

O Instituto Butantan foi criado para produção de soro e vacina contra peste bubônica, identificada na região de Santos, entre o final do século 19 e início do 20. Assim, em 1901, o Instituto Serumtherápico de Butantan produziu e distribuiu as primeiras doses de soro e vacina contra peste bubônica e desde então pesquisa e produz inúmeras vacinas.

Atualmente é o único produtor na América Latina da vacina contra Influenza

Influenza

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