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O Butantan na Gripe Espanhola


Legenda: Prédio Vital Brazil em 1913, atualmente a biblioteca do Instituto Butantan (Foto: Instituto Butantan).

O Instituto Butantan mantém em seu acervo de documentos uma coleção de relatórios anuais, enviados pelo diretor do Instituto para o governo do Estado, que apresentam as principais realizações da instituição em cada período. A coleção é uma importante fonte de informações sobre a história da instituição. O centro de documentação do Instituto pesquisou os relatórios dos anos 1918 e subsequentes para identificar atividades desenvolvidas no Butantan durante e após a pandemia de influenza daquele ano.

O relatório de 1918, assinado pelo diretor Vital Brazil Mineiro da Campanha, cita na página 5:

“O Dr. Afrânio do Amaral, com muita inteligência e atividade ocupou-se com observações clínicas e terapêuticas, colhidas principalmente na enfermaria de Butantan...Escreveu a respeito uma substanciosa e documentada memória que foi apresentada à 2º conferência de Higiene, além aspecto ocupou-se do ensaio de outros produtos do instituto, tais como o “Soro Normal” no tratamento da gripe, do soro anti-pneumoccocica no tratamento da pneumonia gripal.”

Apesar de desconhecerem o agente causador da “Grippe”, os pesquisadores testaram os produtos de que dispunham: o “soro normal”, produzido em cavalos, e o anti-pneumococo. A edição de O Estado De São Paulo, de 26 de Outubro de 1918, registrou este momento a partir de diversos anúncios que estavam sendo feitos sobre as pesquisas desenvolvidas no Instituto Butantan. Diferentes remédios prometiam acabar com a ameaça do vírus, dentre eles o extrato tonsilar, do professor Erico Coelho da Faculdade de Medicina do Rio, e as pílulas sudoríficas de Luiz Carlos, que prometia curar, além da gripe, constipações e febres de mau carácter.

Legenda: Enfermaria do Arquidiocesano na Cidade de São Paulo, hospital provisório organizado para tratar as vítimas da Gripe Espanhola em 1918 (Foto: Memorial do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo).

O vírus da influenza, causador da gripe, foi isolado em 1933. O primeiro passo significativo para a prevenção foi o desenvolvimento, em 1944, de uma vacina contra a gripe feita a partir de vírus mortos, resultado da investigação do australiano Frank Burnet, que demonstrou que o vírus, cultivado a partir de ovos de galinha, perdia a capacidade de causar a gripe. Com essa observação, os investigadores da Universidade do Michigan desenvolveram a primeira vacina. Após a identificação do agente causador, tornou-se possível a preparação de uma vacina específica contra o vírus da influenza.

Em 1948, o Instituto Butantan já havia preparado uma vacina experimental. O diretor Eduardo Vaz escreveu no relatório do mesmo ano:

“Vacina contra a gripe - Têm sido preparadas há mais de um ano pequenas partidas, e submetidas a prova de controle, não tendo sido até agora expedida nenhuma, pelo fato de ainda não satisfazerem as condições exigidas. Além disto a produção em escala que atenda as necessidades da Saúde Pública exige que se façam instalações maiores, e biotérios isolados dos demais, em que se trabalha com outros vírus.” (pág 5 – seção de vírus)

Guardadas as limitações das épocas, o Instituto Butantan desempenhou seu papel de pesquisa e desenvolvimento de produtos para Saúde Pública.