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100 anos depois da Gripe Espanhola

Quais são as chances de uma nova pandemia de gripe?

Faz, portanto, 100 anos que a mutação em vírus comum resultou em um vírus fatal e dizimou populações de cidades inteiras. O que mudou desde então?

Há um século, pouco se conhecia do vírus da gripe (embora já existissem microscópios!). O que não existia era uma vacina que ajudasse a controlar a disseminação de vírus, já que pessoas vacinadas não se contaminam nem podem contaminar os outros. É como se cada uma e cada um de nós, ao sermos vacinados, passássemos a funcionar como barreira à propagação.

Cem anos passam rápido e a distância no tempo nos deixa a sensação de proteção, de um momento que ficou definitivamente para trás. Infelizmente, não podemos ainda contar com isso. A cada ano, novos vírus da gripe circulam pelo mundo e precisamos manter as barreiras vivas. Por isso, a Organização Mundial da Saúde determina anualmente quais são os vírus de maior circulação para a fabricação da vacina contra influenza . Além disso, resta a forte recomendação para que os governos continuem a ampliar os programas nacionais de vacinação.


Legenda: Missa em uma igreja mexicana pelo fim da pandemia da Gripe A em 2009 (Foto: Eneas De Troya).

Movimentos contrários à vacinação

Nos últimos anos, começaram a surgir pessoas que optam por não se vacinar ou não vacinar seus filhos. O problema desta escolha é que ela se baseia em muita desinformação e em fontes pouco confiáveis.

O fato de uma doença estar controlada ou erradicada não significa que o risco trazido por ela deixou de existir. A propagação de uma doença em uma população desprotegida significaria o surgimento de novas epidemias, devido ao fato das pessoas não imunizadas estarem sujeitas a doença e se tornarem novos transmissores.

Assim, o objetivo do programa 100 anos da Gripe Espanhola - imagine o mundo sem vacinas é alertar para o risco de que doenças voltem do passado para assombrar o presente, como é o caso do sarampo. Nos Estados Unidos houve vários surtos e epidemias registrados nos últimos 20 anos. Outro caso é a coqueluche, que tem apresentado uma redução da cobertura em toda comunidade europeia.

No Brasil, o índice de rejeição a vacinas ainda é insignificante, mas não é inexistente. A varíola e a meningite são doenças gravíssimas que afligiam o país até o final dos anos 1960 e 1970. Ou seja, é muito recente.


Legenda: Uma gravura de movimentos anti-vacinação publicada em 1894 (The Historical Medical Library of The College of Physicians of Philadelphia).